O dia 2 de Fevereiro vai ficar marcado pela morte do guitarrista moçambicano Luís Henrique, ou simplesmente Nanando, como era conhecido nos círculos artísticos. Nanando perdeu a vida na noite desta terça-feira, noticia que deixou o sector cultural em estado de choque.

O guitarrista e compositor Nanando morreu, aos 48 anos, no leito do Instituto de Coração de Maputo, local onde esteve internado ao longo dos últimos dias. Segundo Manuel Libombo, teclista da banda de Nanando, o guitarrista “queixava-se nos últimos dias de fortes dores de cabeça, que o levaram várias vezes aos hospitais de Maputo, tendo culminado com esta morte repentina”.
Na manhã desta quarta-feira, várias figuras do panorama cultural moçambicano deslocaram-se à residência de Nanando, a fim de apresentarem as condolências à família enlutada. Destaque vai para a presença do Ministro da Cultura, Armando Artur, que, na ocasião, considerou ser esta “uma grande perda para a música moçambicana". "Nanando foi e continuará a ser uma referência para a marrabenta e a melhor forma de chorarmos a sua morte é preservarmos aquilo que é o seu trabalho”, referiu.
O pianista Jojó, que trabalhou com Nanando na banda Nondje, considerou que o finado “foi um guitarrista virtuoso e que o seu trabalho apresenta uma qualidade acima da média". "Não restam dúvidas que ele deixa um vasto manancial de conhecimento para os jovens que abraçam esta carreira musical”, disse.
O músico Stewart Sukuma, que trabalhou com Nanando e há 27 anos que vinha partilhando os mesmos palcos, considerou esta perda como sendo “irreparável para a cultura moçambicana, pois ele deu muito pela marrabenta e pelo Afro-Jazz, apesar de ser um personagem que não era espampanante, concentrando-se no trabalho que era de grande qualidade”.
Já o compositor e cantor Wazimbo preferiu recordar a abertura que Nanando tinha para trabalhar com todos estilos musicais, recordando momentos partilhados aquando do último grande espectáculo do guitarrista, que decorreu no final de 2009, no Centro Cultural Franco Moçambicano. “Nesse concerto ele convidou o grupo de canto coral Majeschoral e apresentou um trabalho muito criativo e até hoje guardo as imagens e os sons desse belo concerto”, disse Wazimbo.
Com um percurso musical que se estende por mais de 25 anos, onde se incluem as primeiras notas de Jimmy Dlhudlhu, guitarrista que atingiu a fama mundial, Nanando foi um admirável executante de Afro-Jazz, embora tenha feito da Marrabenta o principal pilar da sua carreira. Com um repertório diversificado, a forma ágil e a mestria com que dominava as cordas da guitarra, Nanando foi considerado um verdadeiro mestre da guitarra.
SAPO Moçambique